Uma mensagem de um suposto parente pede um Pix urgente, a vítima transfere R$ 1.500 e, minutos depois, o dinheiro já passou por três contas diferentes. É esse caminho que os bancos passaram a registrar com mais detalhe a partir de 26 de outubro de 2026, quando entrou em vigor uma nova etapa do MED 2.0, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix criado pelo Banco Central.
Desde essa data, cada alerta de fraude trocado entre instituições precisa informar em que etapa do rastreamento está a transferência suspeita, segundo o BPMoney. A mudança é interna, não exige atualização de aplicativo e não altera o uso do Pix, mas aumenta a chance de achar o dinheiro depois que ele sai da primeira conta.
O essencial: a contestação continua sendo feita no app do seu banco, em até 80 dias, e quanto antes melhor. Os bancos têm 7 dias para analisar. Nenhuma ação do cliente é necessária para a regra nova valer.
O ganho da nova etapa para quem caiu no golpe
Na versão original do MED, o bloqueio alcançava apenas a conta que recebeu o Pix. Golpistas aprenderam a pulverizar o valor em segundos, e a devolução quase sempre falhava. O MED 2.0, obrigatório para bancos e instituições de pagamento, segue o dinheiro por várias contas e permite bloquear recursos em qualquer ponto da cadeia, conforme a Money Times.
Com a informação da etapa em cada notificação, o banco que recebe o alerta sabe se o valor veio direto da vítima ou se já passou por outras contas, o que ajuda a priorizar bloqueios.
Antes de contestar, junte isto
- comprovante do Pix, com data, hora, valor e chave de destino;
- prints da conversa, do anúncio ou do link usado no golpe;
- boletim de ocorrência, que pode ser registrado pela internet na delegacia virtual do seu estado.
O boletim não é exigido para abrir a contestação no app, mas costuma ser pedido se o caso for parar no Procon ou na Justiça. Se o golpe envolveu acesso ao seu celular, senha ou código de verificação, troque as senhas do banco e do e-mail e peça o bloqueio do aplicativo antes de qualquer outro passo, para que novas transferências não saiam enquanto a contestação corre.
Como pedir a devolução pelo MED, passo a passo
- Abra o aplicativo do seu banco e vá até a transação no extrato do Pix.
- Toque na opção de contestar ou de reportar fraude. Com o MED 2.0, os apps são obrigados a oferecer esse botão sem depender de atendimento humano.
- Descreva o golpe de forma objetiva: como foi o contato, o que foi prometido e quando percebeu a fraude.
- Guarde o número do protocolo.
- Acompanhe a análise. Os bancos têm até 7 dias para avaliar o caso e, se confirmarem a fraude, devolvem o que conseguirem recuperar.

O prazo para contestar é de até 80 dias após a transferência, de acordo com a BNews. Esse prazo é o limite, não a recomendação: cada hora conta, porque o golpista tenta sacar ou gastar o dinheiro rapidamente.
Onde a devolução costuma falhar
A conta do golpista já foi esvaziada
O MED só devolve o que ainda estiver bloqueável. Se o valor foi sacado ou convertido antes do bloqueio, a recuperação pode ser parcial ou nula, mesmo com o rastreamento em etapas.
O caso não é considerado fraude
Pix enviado por engano para a chave errada e briga comercial, como produto que não chegou de um vendedor real, ficam fora do MED. Para esses casos, o caminho é pedir a devolução ao recebedor, reclamar na plataforma de venda ou procurar o Procon.
A vítima demorou para avisar
Quem descobre o golpe só ao conferir o extrato no fim do mês reduz muito a chance de reaver o dinheiro. Ativar notificações de cada Pix no app ajuda a perceber movimentações estranhas na hora.
Golpes que mais aparecem nas contestações
Falso parente no WhatsApp, falsa central do banco, venda de produto inexistente e QR Code adulterado continuam entre os mais comuns. O último foi detalhado em Golpe do QR Code falso: como funciona o quishing e como se proteger.
Um alerta vale para os próximos dias: golpistas costumam usar mudanças nas regras do Pix como isca, com mensagens que pedem para “atualizar o cadastro” ou “liberar a nova proteção”. A mudança de 26 de outubro não exige nenhuma ação do cliente, e nenhum banco pede senha ou código por mensagem.











