Até 400 Mb/s de download e 100 Mb/s de upload: essa é a velocidade prevista no manual da antena residencial da SpaceSail, empresa chinesa de internet via satélite que teve o equipamento aprovado pela Anatel em 19 de outubro de 2026. A homologação, revelada pelo Tecnoblog, é um passo necessário para que a concorrente da Starlink comece a vender o serviço no Brasil.
A empresa, conhecida como Qianfan na China, já tinha autorização para operar no país desde fevereiro. Preço e data de lançamento ainda não foram anunciados.
400 Mb/s no papel: o que a ficha técnica revela
Segundo os documentos obtidos pelo Tecnoblog, a antena tem código STG-S001-A0 e visual parecido com o da concorrente americana. Os principais números:
| Item | Especificação |
|---|---|
| Velocidade máxima | 400 Mb/s de download e 100 Mb/s de upload |
| Dimensões e peso | 48 x 36 x 4 cm, 4 kg |
| Proteção | IP65, contra poeira e jatos d’água |
| Cabo incluso | 15 metros, com conector USB-C fora do padrão e saída RJ45 |
| Alimentação | 48 V e 4,5 A, ou 216 W |
| Rede local | Wi-Fi 5 |
| Uso previsto | Fixo e móvel |

Os 216 W de alimentação chamam atenção. Apesar do conector USB-C, não dá para ligar a antena num carregador portátil comum. A empresa pode oferecer acessórios como suportes e bateria externa, mas isso não foi detalhado.
324 satélites autorizados e prazo até 2028 para operar
A autorização da Anatel, de fevereiro de 2026, cobre inicialmente até 324 satélites e vale até julho de 2031, segundo a InfoMoney. A empresa tem dois anos a partir da autorização para começar a operar, o que leva o limite a fevereiro de 2028.
- Fevereiro de 2026: Anatel autoriza a operação no Brasil.
- 19 de outubro de 2026: antena residencial recebe homologação.
- Quarto trimestre de 2026: início comercial planejado pela empresa.
- Fevereiro de 2028: limite para começar a operar.
- Julho de 2031: fim da validade da autorização atual.
Por que a órbita baixa importa
Satélites de órbita baixa ficam muito mais perto da Terra do que os geoestacionários usados pela antiga internet via satélite. Isso reduz a latência, o atraso entre o clique e a resposta, e torna viáveis chamadas de vídeo e jogos on-line, que sofriam com as antenas parabólicas tradicionais. Em troca, é preciso uma constelação grande para cobrir o território sem falhas.
Na época, a SpaceSail disse aos reguladores que planejava iniciar o serviço comercial no quarto trimestre de 2026, mesmo período previsto para a China. Os obstáculos agora são operacionais, como a importação dos receptores e a instalação de estações terrestres pelo país.
R$ 49 a R$ 619 por mês: a régua de preço da concorrente
Sem preço anunciado pela SpaceSail, a comparação possível é com quem já está no mercado. Os planos da Starlink no Brasil vão de R$ 49 a R$ 619 mensais, conforme o tipo de uso. A Amazon também prepara seu serviço, o Amazon Leo, que será vendido pela Sky e está com lançamento atrasado.
Vale esperar a SpaceSail antes de contratar internet via satélite?
Depende da urgência. Para quem mora em área rural sem fibra e precisa de conexão já, esperar um serviço sem data e sem preço pode significar meses sem internet. Para quem está satisfeito com o plano atual, faz sentido acompanhar: a entrada de um terceiro concorrente tende a pressionar preços e ampliar a cobertura, embora isso não seja garantia.
Antena da Starlink funciona na SpaceSail?
Não. Cada sistema usa seus próprios terminais, homologados separadamente. Quem trocar de operadora precisará de equipamento novo.
2 modalidades previstas: fixa e móvel
O certificado de conformidade afirma que o produto é destinado a “múltiplos cenários (fixo e móvel)”. Isso indica planos para residências e outros para uso em deslocamento, como caminhões, barcos e motorhomes, modelo semelhante ao que a Starlink já oferece. A fabricação da antena fica com a Shanghai Hanxun Information Technology, em Nanquim.
O que ainda falta definir é o que mais importa para o bolso: preço da antena, mensalidade, franquia e se haverá venda direta ou por parceiros, como no caso da Amazon com a Sky. Esses detalhes devem aparecer junto com o anúncio comercial, que a própria empresa projeta para os últimos meses de 2026.











