Quem tem criptomoedas guardadas na Binance continua, até a manhã de 31 de outubro de 2026, sem conseguir sacar da corretora. Os saques foram suspensos depois que invasores desviaram cerca de US$ 6,3 bilhões de carteiras da empresa em 29 de outubro de 2026, no que a empresa de análise TRM Labs chama de maior roubo de criptoativos já registrado. A Binance afirma que vai cobrir todo o prejuízo com recursos próprios.
Saques na Binance: o que a empresa já confirmou
- Saldo dos clientes: a Binance diz que a perda será absorvida pela empresa, e não pelos usuários.
- Saques: seguem suspensos, com retomada prevista em fases, cerca de 34 horas depois do comunicado de 30 de outubro, se as checagens de segurança terminarem.
- Depósitos e negociação: continuam funcionando normalmente, segundo a corretora.
O valor equivale a cerca de R$ 33,9 bilhões na conversão direta feita pelo Tecnoblog. Para comparação, o ataque à corretora Bybit, em fevereiro de 2025, levou US$ 1,5 bilhão.
Linha do tempo do ataque de 29 de outubro
| Quando | O que aconteceu |
|---|---|
| 29/10, por volta das 17h05 (Brasília) | Começam as transferências não autorizadas; a maior parte ocorre em cerca de 20 minutos, segundo a TRM Labs |
| 29/10, à noite | Tether e Circle começam a congelar stablecoins desviadas |
| 30/10, primeiro comunicado | Binance confirma o incidente, suspende saques e promete cobrir as perdas |
| 30/10, segundo comunicado | Empresa reserva mais de US$ 6,34 bilhões e estima retomar saques em cerca de 34 horas |
| Até 2/11 | Divulgação prevista do resultado da nova prova de reservas |
Notebook de um engenheiro foi a porta de entrada
A investigação inicial da Binance aponta que o notebook de um engenheiro de DevOps foi comprometido. A partir dele, o invasor chegou a um contêiner de serviço interno e enviou pedidos de saque que o próprio sistema tratou como autorizados. A empresa afirma não ter encontrado indício de vazamento de chaves privadas das carteiras e diz ter localizado outros possíveis pontos de comprometimento, ainda sob análise.
A TRM Labs atribui o ataque, com alta confiança, ao TraderTraitor, unidade de hackers ligada à Coreia do Norte, o mesmo grupo que o FBI associou ao caso Bybit. A Binance não comentou a autoria.
Reserva de US$ 6,34 bilhões e fundo SAFU
No segundo comunicado, assinado pelos co-CEOs Richard Teng e Yi He, a Binance informou ter separado mais de US$ 6,34 bilhões do caixa da empresa. Desse total, US$ 5 bilhões já estão nas mesmas moedas levadas (USDT, USDC, BTC, ETH e BNB), o que cobre cerca de 80% do prejuízo. O restante está sendo comprado no mercado. O dinheiro vem do caixa corporativo e do SAFU, fundo de proteção que a corretora mantém para incidentes desse tipo.
Parte do valor desviado foi travada na própria blockchain. Segundo a TRM Labs, a Tether congelou cerca de US$ 1,77 bilhão em USDT e a Circle, cerca de US$ 825 milhões em USDC; a Binance fala em aproximadamente US$ 3 bilhões congelados no total. Bitcoin e Ether não têm esse mecanismo de bloqueio, e o invasor ainda controla cerca de US$ 2,4 bilhões fora do alcance de bloqueio, incluindo mais de 420 mil ETH e 18.270 BTC, de acordo com a TRM.
Ainda sem resposta: prazo exato, ordem dos saques e causa completa
A estimativa de 34 horas depende das checagens de segurança, e a Binance não informou quais moedas ou redes voltam primeiro. Também não há data para o relatório técnico completo do ataque, prometido para depois da investigação. Até a publicação deste texto, a corretora não tinha anunciado a reabertura dos saques. Quem precisa do dinheiro com urgência não tem, por ora, outro caminho além de esperar a liberação por fases.
Golpes que surgem depois de um roubo desse tamanho
A Binance pede que os clientes sigam apenas os canais oficiais e procurem o suporte diretamente. Esse cuidado importa porque ataques grandes costumam ser seguidos por golpes que usam o caso como isca. Os mais comuns:
- Falso reembolso: mensagem dizendo que você precisa “solicitar a compensação” em um link. A empresa diz que vai absorver o prejuízo; não há formulário de ressarcimento anunciado.
- Falso suporte: perfis em redes sociais, Telegram ou WhatsApp que oferecem ajuda para “liberar o saque” mediante taxa.
- Página clonada: e-mail com link para uma tela de login idêntica à da Binance, feita para capturar senha e código de autenticação.
Para checar a conta sem cair em armadilha:
- Entre só digitando o endereço da corretora ou pelo aplicativo oficial, nunca por link recebido.
- Revise o histórico de transações e de dispositivos conectados e encerre sessões que você não reconhece.
- Ative o código antiphishing nas configurações de segurança: ele aparece em todo e-mail legítimo da Binance.
- Use autenticação forte, de preferência chave de acesso ou aplicativo autenticador, em vez de SMS. As vantagens estão em Vale a pena trocar senhas por passkeys nas contas pessoais?.
- Restrinja saques a uma lista de endereços confiáveis, se o recurso estiver disponível na sua conta.

Quando os saques voltarem, vale avaliar quanto do seu saldo precisa mesmo ficar na corretora. Valores que você não negocia com frequência podem ir para uma carteira própria, de preferência física, em que só você controla as chaves. Se o saldo exibido não bater com o que você tinha antes de 29 de outubro, registre o problema pelo suporte dentro do aplicativo e guarde o número do protocolo e os prints do extrato.
Prova de reservas prevista para 2 de novembro
O próximo marco a acompanhar é a nova prova de reservas, que a Binance prometeu concluir até segunda-feira, 2 de novembro de 2026. O documento deve mostrar se os ativos em poder da corretora cobrem os saldos de todos os clientes depois do ataque. É esse número, mais do que o anúncio de reabertura dos saques, que indica se a promessa de cobrir os US$ 6,3 bilhões foi cumprida.
Fontes: Binance: atualização sobre o incidente de segurança e a retomada dos saques; Binance: primeiro comunicado sobre o ataque; TRM Labs: análise do roubo de US$ 6,36 bilhões.










