Treze satélites em órbita: é com essa constelação, ainda incompleta segundo o site Teletime, que a AST SpaceMobile começa a negociar a internet via satélite no celular comum no Brasil. Em 23 de outubro de 2026, Brisanet, Unifique e Iez! Telecom informaram ao mercado a assinatura de um acordo comercial com a empresa americana para oferecer banda larga móvel via satélite, o chamado direct-to-device (D2D), em todo o território nacional.
A proposta é que o próprio smartphone do cliente se conecte ao satélite quando estiver fora do alcance das antenas em terra, sem aplicativo, acessório ou atualização. Data de lançamento e preço dos planos, porém, ainda não existem.
O que o fato relevante confirma e o que segue em aberto
O fato relevante da Brisanet, enviado à CVM e assinado em Pereiro (CE), descreve o desenho do acordo. As operadoras regionais vão ceder as frequências da faixa de 700 MHz que detêm e investir nos gateways terrestres, as estações que ligam a rede móvel de cada uma à constelação da AST. Do outro lado, a tabela mostra o que ainda depende de negociação.
| Já definido | Ainda sem resposta |
|---|---|
| Acordo comercial assinado entre as três regionais e a AST SpaceMobile | Contrato definitivo, que segue em negociação |
| Uso da faixa de 700 MHz das operadoras | Aval da Anatel e do Cade, condição citada pela Unifique |
| Voz, dados e vídeo em smartphones comuns | Quais modelos de celular vão funcionar com o satélite |
| Operadoras pagam a conexão terrestre | Valor do investimento e número de gateways |
| Meta de cobertura nacional | Data de estreia, planos e preço para o cliente |
Sobre os aparelhos, o Teletime lembra que a faixa de 700 MHz, usada no 4G, está em praticamente todos os celulares, mas nem todos estão necessariamente preparados para operar com conexão por satélite. Segundo o Tele.Síntese, o comunicado da Unifique condiciona a transação às autorizações regulatórias da Anatel e do Cade e não traz preços, planos nem cronograma.

Como o celular via satélite chegou até aqui no Brasil
- Abril de 2024: a Anatel cria o ambiente regulatório experimental (sandbox) para testar satélites conectados diretamente a celulares em frequências das redes móveis.
- 24 de agosto de 2026: o Ato nº 10.902 prorroga esse ambiente até 22 de abril de 2029 e passa a admitir uso comercial, permitindo que o cliente mantenha o próprio número na conexão por satélite, segundo o Capital Digital.
- 7 de outubro de 2026: na Futurecom, em São Paulo, um executivo da AST disse que a empresa instala quatro gateways no país e trabalha com 2027 como horizonte para ampliar o D2D por aqui.
- 23 de outubro de 2026: Brisanet, Unifique e Iez! Telecom publicam o acordo com a AST.
Pelas regras do sandbox, só podem participar operadoras que detêm a frequência usada, e a área de operação fica limitada à da autorização de espectro de cada uma, de acordo com o Capital Digital. Até a decisão de agosto, a Vivo era a única participante desse ambiente. A AST tem ainda uma parcela de espectro na banda S, na faixa de 2 GHz, onde poderia operar sem parceria com operadoras terrestres, segundo o Teletime.
Por que treze satélites não bastam
Com a frota atual, a AST não consegue manter conexão permanente e sem interrupções no Brasil. A expectativa relatada pelo Teletime é de cobertura suficiente para serviço contínuo até o fim de 2027. A geração de satélites em uso permite cerca de 100 Mbps, e a próxima pode chegar a 200 Mbps, velocidade dividida entre todos os usuários conectados ao mesmo tempo.

Cliente de Brisanet, Unifique ou Iez!: nada muda por enquanto
Não há o que contratar nem configurar. Quando o serviço existir, a promessa do fato relevante é funcionar no aparelho que o cliente já tem, então não faz sentido trocar de celular por causa do anúncio. As três empresas atuam fora dos grandes centros, e o Teletime observa que as operadoras regionais têm obrigações de cobertura em cidades com menos de 30 mil habitantes, estradas e áreas remotas, justamente onde o satélite faria mais diferença.
O modelo é diferente do de empresas que vendem internet via satélite com antena própria, como a SpaceSail, cuja chegada ao país o tecnohub explicou em SpaceSail, rival da Starlink, homologa antena no Brasil. No D2D, quem fala com o satélite é o próprio telefone.
Fim de 2027 é a data a marcar no calendário
O próximo passo formal é o contrato definitivo, que a Brisanet promete comunicar ao mercado, seguido das aprovações da Anatel e do Cade. A data concreta mais próxima, porém, é a do fim de 2027, quando, segundo o Teletime, a AST espera ter satélites suficientes para um serviço contínuo no país. Até lá, qualquer oferta de “internet via satélite no celular” das regionais deve vir em caráter de teste e restrita a áreas definidas.











