Golpe do iPhone Duo: página falsa ataca o celular só de ser aberta

Por TecnoHub

18 de outubro de 2026

Uma página que imita a pré-venda oficial do iPhone Duo, o dobrável da Apple, está sendo usada para tentar invadir iPhones desatualizados assim que o link é aberto, sem que a vítima precise clicar em nada ou preencher o formulário. O alerta foi publicado pela empresa de segurança Malwarebytes em 29 de setembro de 2026 e voltou a circular no Brasil em 17 de outubro de 2026, um dia depois de a pré-venda verdadeira começar no país, em 16 de outubro.

Se você está de olho no lançamento ou recebeu um link de “oferta exclusiva” pelo WhatsApp, por SMS ou em anúncio de rede social, o risco é real e a defesa principal é simples: iPhone atualizado e loja acessada pelo endereço digitado à mão.

Em resumo: uma falsa pré-venda do iPhone Duo, com promessa de voucher de US$ 500, carrega a cadeia de ataque DarkSword, que explora falhas antigas do iOS. iPhones atualizados estão protegidos, segundo a Apple e os pesquisadores. Quem abriu a página deve atualizar o sistema, reiniciar o aparelho e trocar senhas importantes a partir de outro dispositivo.

 

Como a página falsa do iPhone Duo engana e ataca

A armadilha descrita pela análise da Malwarebytes sobre a falsa pré-venda copia o visual do site da Apple e oferece um pacote tentador para “parceiros autorizados”: voucher de US$ 500 e AppleCare+ incluído, sem pagamento antecipado. O formulário pede nome, e-mail e telefone.

O formulário, porém, é só cenário. O perigo começa no carregamento da página. Quando o visitante usa um iPhone, o código tenta disparar a DarkSword, uma sequência de exploits que se aproveita de falhas do navegador e do sistema para ganhar controle do aparelho. Se o acesso vem de outro navegador, a página exibe um aviso de “navegador restrito” e tenta empurrar a pessoa para o Safari, que é o alvo do ataque.

Alguns sinais entregam a fraude para quem presta atenção:

  • a contagem regressiva recomeça do zero sempre que a página é recarregada;
  • os links de política de privacidade e termos não funcionam;
  • cores e capacidades oferecidas não batem com a linha real do iPhone Duo;
  • o “pedido” nunca é criado: a página só mostra uma mensagem de sucesso própria;
  • o endereço não é apple.com nem de um revendedor que você conhece.
Mãos segurando um iPhone e navegando em uma página diante de um monitor
Abrir links de ofertas recebidos por mensagem é a porta de entrada do golpe. Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

 

O que é a DarkSword e por que ela assusta

A DarkSword foi documentada pelo Google Threat Intelligence Group em 18 de março de 2026. Segundo o Google, a cadeia junta seis vulnerabilidades, várias delas exploradas antes de existir correção, e estava em uso desde pelo menos novembro de 2025 por grupos ligados a espionagem e a fornecedores de vigilância.

Uma vez dentro do aparelho, o código malicioso tenta copiar uma lista longa de dados. De acordo com as duas análises, estão no alvo:

Tipo de dadoExemplos
Credenciaissenhas salvas no chaveiro do iPhone, senhas de Wi-Fi
Conversasmensagens de iMessage, WhatsApp e Telegram, histórico de chamadas
Vida pessoalcontatos, fotos, notas, agenda, e-mails, localização
Dinheirodados de carteiras de criptomoedas como MetaMask, Phantom e Coinbase Wallet

O código também apaga relatórios de diagnóstico que poderiam denunciar o ataque. A Malwarebytes não encontrou mecanismo para sobreviver a uma reinicialização, mas ressalta que analisou o código sem testá-lo em um iPhone real e que não há confirmação de quantas pessoas foram atingidas por esta página específica.

 

Meu iPhone está vulnerável?

A resposta depende da versão do iOS. O Google aponta que a cadeia funciona do iOS 18.4 ao 18.7, e a Apple já corrigiu as falhas usadas. As correções chegaram em etapas: parte no iOS 18.6 e 18.7.2, parte no iOS 18.7.3 e 26.2, e a última no iOS 26.3.

Na prática, ficam em situação de risco três grupos:

  1. quem desativou as atualizações automáticas e está parado numa versão do iOS 18 anterior às correções;
  2. quem tem um iPhone antigo que não recebe mais as versões novas do sistema;
  3. quem adia a instalação há meses porque “o celular está funcionando bem”.

Um detalhe técnico chama atenção: o Safari pode informar ao site uma versão de iOS diferente da real, então até um aparelho atualizado pode carregar o código malicioso. A diferença é que, com o sistema em dia, o ataque não encontra as falhas que precisa para avançar. A própria Apple mantém a lista de correções na página Atualizações de segurança da Apple.

 

Como se proteger antes de cair no golpe

O roteiro é curto e vale para qualquer lançamento disputado, não só para o iPhone Duo:

  1. Atualize o iOS agora: Ajustes, Geral, Atualização de Software. Ative também as atualizações automáticas na mesma tela.
  2. Digite o endereço da loja no navegador em vez de tocar em links de anúncios, mensagens e posts.
  3. Desconfie de brindes altos e de “lotes exclusivos para parceiros”. A Apple não vende o aparelho por formulário de cadastro.
  4. Se o seu iPhone não recebe mais atualizações, considere ativar o Modo de Isolamento, recomendado pelo Google para quem não consegue atualizar. A Apple explica como ligar na página do Modo de Isolamento do iPhone.

Quer conferir preço, prazo de entrega e as versões do aparelho com calma, longe das ofertas falsas? O tecnohub já publicou o guia Pré-venda do iPhone Duo começou: preços, entrega e o que avaliar.

 

Abri a página falsa. E agora?

Não entre em pânico, mas não deixe para depois. A Malwarebytes recomenda uma sequência de passos, e a ordem importa:

  • atualize o iOS e reinicie o iPhone (a reinicialização interrompe o código, mas não desfaz o que já foi copiado);
  • troque as senhas a partir de outro aparelho confiável, começando pelo e-mail, depois Apple ID, bancos e corretoras;
  • ative a verificação em duas etapas onde ainda não estiver ligada;
  • se guarda criptomoedas no celular, crie uma carteira nova, com nova frase de recuperação, em um aparelho confiável e transfira os fundos;
  • salve o endereço e capturas de tela da página, sem abri-la de novo, e registre a ocorrência na delegacia de crimes cibernéticos do seu estado.

Vale avisar o banco se você usa o aplicativo dele no mesmo aparelho. Ele pode monitorar transações fora do seu padrão enquanto você troca as senhas.

 

Dúvidas que estão aparecendo

 

Só preencher o formulário já é perigoso?

O formulário entrega nome, e-mail e telefone, que podem alimentar golpes de phishing depois. Mas o ataque grave não depende dele: basta abrir a página num iPhone vulnerável.

 

Antivírus para iPhone resolve?

Não substitui a atualização. A defesa contra a DarkSword é ter o iOS com as correções da Apple instaladas.

 

Android também corre risco?

Esta cadeia mira o iOS. Quem usa Android não sofre a invasão descrita, mas pode ter os dados do formulário usados em outros golpes. A regra de digitar o endereço da loja vale para todos.

 

Como saber se a oferta é da Apple?

Confira se o endereço termina em apple.com ou se é de uma loja que você já conhece. Na dúvida, abra o site da loja por conta própria e procure a oferta lá dentro.

 

Se você vai comprar o iPhone Duo, faça nesta ordem

Se a sua intenção é garantir o aparelho na pré-venda, primeiro atualize o iPhone que você já tem, depois entre direto no site ou no app da loja e só então compare preços. Se receber uma oferta boa demais por mensagem, procure o mesmo preço no site oficial: se não estiver lá, trate como golpe. E se você usa um iPhone antigo que parou de receber atualizações, a troca deixa de ser só desejo e passa a ser questão de segurança, já que falhas como as da DarkSword seguem abertas nele. Enquanto isso, mantenha o Modo de Isolamento ligado e evite abrir links de lojas desconhecidas nesse aparelho.

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