Marco legal dos games regulamentado: o que muda para jogadores e pais

Por TecnoHub

15 de outubro de 2026

O governo federal publicou no Diário Oficial da União em 15 de outubro de 2026 o decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos. O Decreto 13.138, de 14 de outubro, cria a plataforma pública GameBrasil, reconhece os esportes eletrônicos como manifestação esportiva e manda o Ministério da Saúde regulamentar o uso terapêutico de games, segundo a Agência Brasil.

A lei que criou o marco legal é de 2024, mas boa parte dela dependia de regulamentação para sair do papel. O decreto distribui as tarefas entre ministérios e a Ancine e define como o Estado vai fomentar, catalogar e usar jogos eletrônicos.

Em resumo: o decreto cria o GameBrasil, catálogo público de jogos nacionais; reconhece o eSport como esporte competitivo; abre caminho para jogos financiados pela Lei do Audiovisual; e manda o Ministério da Saúde definir regras para games terapêuticos. As proteções a crianças, como bloqueio de compras sem autorização dos pais, estão na lei de 2024 e seguem valendo.

 

O que o decreto cria e quem cuida de cada parte

O texto funciona como um mapa de responsabilidades. Cada órgão recebe uma parte da política:

ÓrgãoO que passa a fazer
Ministério da CulturaCoordena o GameBrasil e cria uma rede nacional de espaços de formação e desenvolvimento de games
AncineRegulamenta o acesso da indústria de games aos incentivos da Lei do Audiovisual e ao Fundo Setorial do Audiovisual
Ministério da EducaçãoPode incentivar cursos, pesquisa e empreendedorismo na área, inclusive pelo Pronatec
Ministério da SaúdeRegulamenta o uso terapêutico de jogos eletrônicos
Ministério do EsporteIntegra os esportes eletrônicos às políticas de formação esportiva e competições

O decreto também prevê a simplificação da importação de ferramentas essenciais ao desenvolvimento de jogos, um pedido antigo de estúdios brasileiros.

 

O que muda para quem desenvolve jogos no Brasil

Para estúdios e desenvolvedores independentes, a peça mais importante é a entrada formal dos games no sistema de fomento do audiovisual. Caberá à Ancine propor as normas para apresentação de projetos ao Fundo Setorial do Audiovisual e definir os critérios para que um jogo seja considerado brasileiro de produção independente. É essa definição que vai dizer quem pode disputar os recursos.

Na formação, o Ministério da Cultura vai montar uma rede nacional de espaços de desenvolvimento de games e poderá oferecer cursos pela Escola Solano Trindade. O MEC pode usar o Pronatec para cursos de qualificação na área. Para quem está começando, isso pode significar mais vagas gratuitas de capacitação; para quem já tem estúdio, mais caminhos de financiamento público, desde que as normas complementares sejam publicadas.

Duas pessoas jogando videogame com controles de console
Imagem ilustrativa. Foto: JESHOOTS.COM / Unsplash

 

O que muda para quem joga

Para o jogador comum, a mudança mais visível deve ser o GameBrasil, uma plataforma pública para catalogar, divulgar e promover jogos brasileiros. Ela também pode guardar um repositório de jogos financiados com dinheiro público, que ficarão disponíveis para escolas, universidades, centros de pesquisa e instituições de saúde públicas, respeitados os direitos autorais.

Para quem joga competitivamente, o reconhecimento do eSport como “manifestação esportiva de natureza competitiva”, individual ou em equipe, permite que organizações de esportes eletrônicos integrem o sistema nacional do esporte e acessem políticas públicas da área, como programas de formação e competições.

 

O que muda para pais e responsáveis

O decreto manda que toda a implementação observe as normas de proteção de crianças e adolescentes e pede que os fornecedores adotem medidas de acessibilidade também nos mecanismos de segurança voltados ao público infantojuvenil. As regras mais concretas, porém, já estão na Lei 14.852/2024, que criou o marco legal:

  • Compras bloqueadas por padrão: as ferramentas de compra devem restringir, por padrão, transações feitas por crianças, garantindo o consentimento dos responsáveis.
  • Interação entre usuários: jogos voltados a crianças e adolescentes com chat ou interação precisam ter canal de denúncias de abuso, ferramentas de supervisão parental e opção de desativar a interação.
  • Classificação indicativa: a análise etária deve considerar os riscos das microtransações.
  • Interesse da criança em primeiro lugar: o design e o funcionamento de jogos acessados por crianças devem ter como parâmetro o superior interesse da criança e do adolescente.

Na prática, se o seu filho joga no celular ou no console, vale conferir se as compras exigem senha de um adulto e se o chat pode ser desligado nas configurações do jogo ou da plataforma.

 

Games como tratamento e treinamento

Uma das partes mais novas é o uso terapêutico. O Ministério da Saúde vai definir finalidades, parâmetros e requisitos técnicos e sanitários para jogos usados em tratamentos. Para jogos de treinamento e capacitação, o decreto lista critérios como fidelidade da simulação, usabilidade, acessibilidade, segurança, proteção de dados pessoais, tempo de uso compatível e supervisão humana.

Até a regulamentação específica sair, nenhum jogo comum passa a ser considerado tratamento. O decreto só abre o caminho.

 

Dúvidas que estão aparecendo

 

Bets e jogos de aposta entram no marco legal?

Não. A Lei 14.852/2024 exclui expressamente qualquer jogo que ofereça aposta, com prêmio em ativos reais ou virtuais, além de loterias e promoções comerciais.

 

O decreto proíbe loot boxes?

O texto divulgado não menciona loot boxes. A lei de 2024 trata das microtransações dentro da classificação indicativa e do bloqueio de compras por crianças.

 

Os jogos vão ficar mais baratos?

O decreto não trata de impostos sobre venda de jogos ou consoles. Ele cita mecanismos federais de fomento e da Lei do Audiovisual, que beneficiam a produção, não o preço final.

 

Se você joga, desenvolve ou é responsável, então acompanhe isto

Se você desenvolve jogos, então as normas da Ancine para o Fundo Setorial do Audiovisual são o próximo documento a observar, porque definem como apresentar projetos e o que conta como game brasileiro independente. Se você joga competitivamente, então acompanhe as ações do Ministério do Esporte para o eSport. Se você é pai ou mãe, então use desde já as ferramentas de controle parental e de bloqueio de compras, que a lei de 2024 tornou obrigatórias como padrão. E fique atento ao lançamento do GameBrasil, que ainda não tem data divulgada.

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