Geração solar avança 22% em janeiro e reforça protagonismo na matriz elétrica brasileira

Por TecnoHub

26 de fevereiro de 2026

Produção fotovoltaica alcança 4.778 MW médios no mês, enquanto hidrelétricas recuam e consumo nacional apresenta leve queda

A geração de energia solar no Brasil cresceu 22,1% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. No período, as usinas fotovoltaicas entregaram 4.778 megawatts médios (MWmed), frente aos 3.912 MW médios registrados um ano antes.

O desempenho reforça a consolidação da fonte solar como um dos pilares da expansão energética nacional. O crescimento ocorre em meio à diversificação da matriz elétrica e ao aumento da competitividade da tecnologia, que vem atraindo investimentos tanto no mercado regulado quanto no ambiente livre.

Enquanto a solar apresentou avanço expressivo, outras fontes tiveram comportamentos distintos. As usinas eólicas registraram crescimento de 60,6% na mesma base de comparação, enquanto as térmicas avançaram 0,5%. Já a geração hidrelétrica apresentou retração de 13,5% em relação a janeiro do ano anterior.

Geração total recua, apesar do avanço renovável

Mesmo com a expansão das fontes solar e eólica, a geração total do Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou leve queda de 0,8% na comparação anual, somando 75.855 MW médios em janeiro.

O resultado reflete, principalmente, a redução na produção das hidrelétricas, que ainda representam parcela significativa da matriz elétrica brasileira. Oscilações hidrológicas e ajustes operacionais costumam impactar diretamente o desempenho dessa fonte, influenciando o balanço geral do sistema.

Ainda assim, o avanço das renováveis sinaliza uma mudança estrutural no perfil de geração do país, reduzindo a dependência de fontes tradicionais e ampliando a participação de tecnologias de menor emissão de carbono.

Consumo registra leve retração no início do ano

O consumo de energia elétrica no SIN apresentou queda de 0,6% em janeiro, também na comparação com o mesmo mês de 2025. O Ambiente de Contratação Livre (ACL) recuou 1,0%, enquanto o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) permaneceu estável.

No ACL, empresas podem negociar diretamente com fornecedores, definindo preços e condições contratuais de forma mais flexível. Já no ACR, os consumidores adquirem energia das distribuidoras locais, dentro das regras tarifárias estabelecidas pelo setor regulado.

Na análise regional, alguns estados registraram crescimento relevante no consumo, como Piauí (8,4%), Pará (6,7%), Sergipe (6,1%) e Mato Grosso (5,7%). Por outro lado, Mato Grosso do Sul (-7,4%), Goiás (-4,8%) e Acre (-4,5%) apresentaram as retrações mais acentuadas.

Entre os setores econômicos, os maiores recuos foram observados nos segmentos de químicos (-7,1%), telecomunicações (-7,2%) e veículos (-5,9%). Em contrapartida, a extração de minerais metálicos (11,9%), o setor de serviços (5,3%) e a indústria alimentícia (3,6%) registraram crescimento no consumo de energia.

Matriz elétrica ganha 543 MW em janeiro

Além do desempenho na geração, o parque elétrico brasileiro avançou 543 megawatts em janeiro, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica. No mês, 13 usinas iniciaram a operação comercial: 11 centrais solares fotovoltaicas, somando 509 MW, uma usina termelétrica com 20 MW e uma pequena central hidrelétrica de 14 MW.

Com as novas entradas em operação, o país atingiu 216 gigawatts (GW) de potência fiscalizada. A expansão ocorreu em quatro estados de diferentes regiões. Minas Gerais liderou, com 409 MW provenientes de nove usinas. Na sequência aparecem Bahia, com 100 MW de duas usinas, Pará, com 20 MW, e Paraná, com 14 MW.

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